Notícias

O excesso de carga é um problema nas rodovias brasileiras?

O Brasil é a nona maior economia mundial, porém, o seu setor de infraestrutura ainda enfrenta muitos desafios, entre eles o forte desequilíbrio na sua matriz de transportes. Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mais de 60% do transporte de cargas é realizado por rodovias, seguido por ferrovias (20,7%) e hidrovias (13,6%). A qualidade da malha rodoviária brasileira acaba sendo diretamente influenciada pelo desequilíbrio entre os modos de transportes. O sistema de transportes brasileiro destaca-se por sua extensa matriz rodoviária, onde apenas 12,3% da extensão total é pavimentada e 61,8% apresentam estado de conservação regular, ruim ou péssimo (Pesquisa CNT, 2017).

O pavimento rodoviário é uma estrutura dimensionada para resistir às tensões e deformações induzidas pelas cargas dos veículos que trafegarão sobre o revestimento, em sua maioria uma camada asfáltica, pelo período de projeto adotado. Com o passar do tempo, as repetidas solicitações dos veículos desenvolvem-se em patologias, sendo a deformação permanente e a fadiga os principais defeitos que ocorrem nos pavimentos asfálticos brasileiros.

Os resultados insatisfatórios das condições das rodovias são muitas vezes decorrentes da ausência de investimentos compatíveis com a real demanda nas rodovias. Este cenário é agravado ainda pelo tráfego de veículos com sobrecarga, responsáveis por uma redução significativa na vida útil dos pavimentos. É evidente a necessidade de monitoramentos contínuos das condições da infraestrutura existente para direcionamento dos investimentos, bem como do controle da sobrecarga dos veículos e acompanhamento do tráfego para dimensionamento de estruturas de pavimentos rodoviários compatíveis com a realidade.

A correta avaliação da solicitação do tráfego envolve a definição de elementos que consideram o volume de veículos, a classificação da frota e as cargas por eixo com as quais os veículos solicitam o pavimento. Caso essas informações não sejam adequadamente estimadas, as previsões de solicitações futuras da estrutura do pavimento tornam-se mais imprecisas. A carga rodoviária pode ser expressa pelo Peso Bruto Total (PBT), valor constituído da soma da tara do veículo mais a lotação, pelo Peso Bruto Total Combinado (PBTC), valor resultante da soma das cargas de um caminhão trator com seu semirreboque ou do caminhão mais o(s) seu(s) reboque(s), ou pela carga por eixo, sendo esses valores limitados segundo a legislação de cada país. As cargas máximas legais por eixo preconizadas pelo CONTRAN, expostas na Resolução nº 210/06 e válidas atualmente são apresentadas na Tabela 1. São considerados eixos em tandem dois ou mais eixos que constituam um conjunto integral de suspensão.

Em 02 de março de 2015, promulgou-se a Lei nº 13.103 (Brasil, 2015), onde ficou estabelecido que o Artigo 1º da Lei nº 7.408, de 1964, passaria a vigorar com redação onde se manteve a tolerância máxima de 5% sobre os limites de PBT, mas alterou-se a tolerância dos limites de carga por eixo para 10%. É importante destacar que não se tem conhecimento de estudos técnicos que embasem as tolerâncias adotadas (Albano, 2005), sendo exposto apenas que as mesmas existem com o intuito de compensar incertezas de medição nos equipamentos de aferição de peso, conforme exposto nas próprias resoluções da CONTRAN.

A análise dos efeitos das solicitações do tráfego sobre o desempenho das estruturas de pavimento é uma tarefa complexa em virtude principalmente da grande heterogeneidade de tipos de veículos que circulam na via e da ampla variação de cargas aplicadas. Atualmente, a determinação do volume de tráfego no Brasil para fins de projeto ainda se baseia primordialmente em contagens volumétricas classificatórias que ocorrem em uma quantidade limitada de dias e por períodos curtos. Assim, os resultados obtidos usualmente não representam bem a média anual do trecho em análise. Ademais, a ausência ou inoperância de postos de pesagem veicular nas rodovias dificulta a obtenção de dados sobre a real carga transportada pelos veículos. Como consequência, a capacidade de suporte da estrutura de pavimento dimensionada pode ser superior ou inferior à necessária para o período de projeto adotado.

O tráfego, para efeito de projeto de pavimentos, é reportado por meio do número N, que é o número previsto de repetições de um eixo padrão (eixo simples de roda dupla) com 8,2 toneladas. Os demais eixos (de diferentes pesos e/ou configurações) são transformado para o eixo padrão por meio do Fator de Equivalência de Carga (FEC), que é um número que expressa o dano que um eixo com uma determinada carga causa em um pavimento em comparação com o eixo padrão, que por sua vez é definido como causador de um dano unitário. Veículos com excesso de carga seriam levados em consideração por meio de maiores valores de FECs, uma vez conhecida essa informação.

Em estudo apresentado à Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Bernucci e Santos (2013) abordam o tema “A Degradação Precoce dos Pavimentos em Decorrência do Excesso de Carga”, onde mostram que um eixo padrão (ESRD) trafegando com 5% de excesso de carga, acima da carga máxima legal (10 toneladas), leva a um dano 22% maior ao pavimento; quando o excesso é de 10%, esse dano passa a ser 46% maior; e quando esse excesso é de 20%, o dano passa a ser 107% maior que o ESRD na carga máxima legal.

Já é sabido pelo meio técnico a existência de excesso de carga nas rodovias brasileiras. Todavia, os dados sobre esses excessos são ainda escassos, não apenas pela limitada quantidade de postos de pesagem ativos, mas também pela localização dos postos já implantados, possibilitando a utilização de rotas de fuga pelos transportadores, além de seus horários de funcionamento restritos e previsíveis, induzindo a passagem dos veículos com sobrecarga nos horários em que os postos de pesagem não estão funcionando. Os estudos nacionais sobre sistemas de pesagem em movimento vêm crescendo no Brasil (Brito et al. 2013; Bosso et al., 2016; Otto, 2018) como forma de melhor conhecer esses excessos de carga nas rodovias brasileiras.




Este artigo foi produzido com base em pesquisa realizada nos principais canais de informação do mercado de transporte. As afirmações contidas aqui não representam o posicionamento da Volvo. 

Inserir um nome válido
Inserir um telefone válido
Obrigado por se inscrever na newsletter.

Em breve você receberá novidades sobre o mercado de construção de estradas.
Ocorreu um erro ao enviar as suas informações. Favor tentar novamente.
Favor preencher todos os campos que estão destacados em vermelho.

Últimas Notícias

Ver todas as notícias